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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pernambuco responde por 50% da alta nos homicídios

Foto: Bruno Itan
O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Luiz Ratton se inclina um pouco para frente e arregala os olhos, falando de modo incisivo. "O Pacto pela Vida como ele foi concebido morreu. Está morto. O que o governo está fazendo agora é gerir uma marca. Hoje, há uma gestão malfeita de uma marca que já foi bem-sucedida." Da concepção de um dos programas de segurança do qual mais se ouviu falar no País na última década, ele pode falar. Estava no centro da criação capitaneada pelo ex-governador Eduardo Campos, e saiu da gestão antes de surgirem as falhas. 

Em julho, Pernambuco chegou a 3.323 crimes contra a vida no ano. Isso já é mais do que o que foi registrado em todo o ano de 2012 (3.321) e 2013 (3.100) por exemplo. No primeiro semestre de 2017 o País teve 1,7 mil homicídios a mais do que no mesmo período do ano passado; 913 deles aconteceram em Pernambuco.

"Os padrões que observamos para este ano mostram que Pernambuco pode chegar a número absoluto de homicídios que talvez seja o maior da história, entre 5 mil e 5,4 mil. Na melhor das hipóteses, que ainda assim é muito ruim, equivaleria a 10% dos homicídios do Brasil e a quase 1% do mundo. É uma tragédia civilizatória", diz Ratton. 

Um dia antes, na quarta da semana passada, o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua Cavalcanti, teria resposta diferente diante da mesma pergunta: o Pacto morreu? "Está mais vivo do que nunca. O pacto é uma política de Estado construída há dez anos, de muito sucesso, e colocou Pernambuco entre os melhores Estados no enfrentamento à violência, mas obviamente há necessidades de ajustes operacionais e os resultados já estão sendo colhidos", disse no seu gabinete.

Nas ruas da capital, não há sensação de resultado. São comuns relatos de assaltos a ônibus, que a pasta diz reduzir, enquanto o Estado regride uma década no patamar de homicídios. 



Por: AE - Diario de PE

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