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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Tabira tem tabu da reeleição quebrado por um poeta

Ao ser eleito prefeito de Tabira em 2012, o prefeito Sebastião Dias (PTB) pôs abaixo o preconceito contra os repentistas e cancioneiros populares, sendo o primeiro cantador de viola a chegar ao poder numa região, o Sertão do Pajeú, de monstros sagrados do improviso, onde o canto e a poesia brotam do chão esturricado e desolador. Vencedor nas eleições do último dia 2, o poeta escreveu um novo paradigma, incluindo em seu currículo a façanha de ser o primeiro prefeito reeleito no município.
O tabu não poderia ser festejado de outra forma, se não com versos dedilhados na viola que acompanha Sebastião há 40 anos, desde quando, garoto, dava duro na roça em Ouro Branco, sertão do Rio Grande do Norte, ajudando o pai. “O trabalho foi aceito/Com o povo ao nosso lado/Ganhamos com sacrifício/Ninguém sai derrotado/Derrotamos a mentira/Mas o tabu de Tabira graças a Deus foi quebrado”.
Nas urnas, o fim do tabu foi suado, simbolizado pela diferença de apenas 319 votos. O prefeito-poeta derrotou, pela segunda vez, o velho rival Dinca Brandino, que impedido de concorrer por ser ficha suja, escalou a mulher Nicinha Brandino, pelo PMDB. Também foi derrotado o candidato da chamada terceira via, o dentista Zé de Bira (PSB), filho do também dentista e militante político Ubirajara Jucá.
Na totalização dos votos, Sebastião alcançou 6.736 votos (43,48%), Nicinha 6.417 (41,425) e Zé de Bira 2.339 (15,10%). Em 64 seções espalhadas na sede e nos distritos do município 281 eleitores votaram em branco e 648 anularam. Na coligação vitoriosa, o prefeito reeleito ainda emplacou a vereadora mais votada: Nelly de Mano, do PSC, com 1.138 votos, filha do ex-prefeito Mano. A oposição, entretanto, elegeu a maioria na Câmara, seis dos 11 vereadores, o que pode deixar o poeta sem o controle do Legislativo no seu segundo mandato.
Na prática, o que contribuiu para a reeleição do trabalhista foi o racha da oposição. A soma dos votos de Nicinha e Zé de Bira – 8.756 – supera em 2.020 votos a totalidade do mais votado. “O Palácio e o PSB me traíram. Em reunião com o secretário da Casa Civil, Antônio Figueira, em Palácio, ele me garantiu que o PSB não teria candidato em Tabira”, relata Dinca, atribuindo ainda o insucesso ao que chama de “derrame de dinheiro no dia da eleição”.
“A compra de votos aqui foi descarada”, diz ele. Ainda esta semana, os advogados que o assessoram na eleição entrarão com uma ação na justiça para tentar anular o resultado do pleito, não sob a alegação de abuso do poder econômico, mas pelo fato do vice-prefeito eleito, José Amaral, ter sido condenado por improbidade administrativa em processo no vizinho Estado da Paraíba.
Segundo Dinca, o processo é cabeludo. “Se houver justiça eleitoral, a eleição será anulada, pois o vice-prefeito foi condenado por lavagem de dinheiro em um contrato da empresa dele com a Prefeitura de Santa Cruz (PB)”, garante Dinca. O vice da polêmica é irmão do ex-prefeito Josete Amaral (PSB), que não subiu no palanque de Sebastião, mesmo tendo outro irmão secretário, Josemar Amaral (Obras), mas sim no de Zé de Bira.

Por Magno Martins

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