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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Dívida da Petrobras passa de meio trilhão de reais

Com o fechamento do terceiro trimestre e o dólar cotado a R$ 3,96 no fim de setembro, a dívida da Petrobras atingiu R$ 510 bilhões, o equivalente a mais de cinco vezes a geração de caixa da companhia. O valor representa a maior dívida do mundo e encaminha a estatal para um quadro alarmante de insolvência financeira. Até 2018, a Petrobras terá que desembolsar R$ 165 bilhões apenas para pagar os empréstimos. Para especialistas, se a petroleira fosse uma empresa privada, já teria falido ou estaria em recuperação judicial.

Enquanto a Petrobras deve cinco vezes mais do que é capaz de gerar, a média das dívidas de outras petrolíferas não é maior do que uma vez seus caixas. A companhia brasileira prevê geração de R$ 76 bilhões em 2015,

R$ 90 bilhões em 2016, R$ 92 bilhões em 2017 e R$ 95 bilhões em 2018. O total, de R$ 353 bilhões, teria que dar conta dos R$ 165 bilhões em financiamentos, mais investimentos e custos administrativos, como a folha de pagamentos. “Mesmo com a redução no plano de negócios (a companhia prevê cortes de 40% nos investimentos), a situação beira o caos porque a empresa está pagando os financiamentos com mais dívidas, alertou Demetrius Borel Lucindo, economista da DMBL Investimentos. Segundo ele, o custo de captação de dinheiro da Petrobras está em 13% em dólar, o maior do planeta. “Economistas que avaliam o cenário global já disseram que, atualmente, o maior problema do mundo é a Petrobras. A insolvência da companhia pode colocar em xeque o sistema financeiro do Brasil”, afirmou.

Para o especialista, a Petrobras só não entrou em recuperação judicial porque tem o governo brasileiro por trás. “Se fosse privada estaria falida”, sentenciou. O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, compartilha da mesma opinião. “Ou teria falido, ou teria sido comprada. A maior cervejaria do mundo pagou mais de US$ 100 bilhões pela segunda concorrente. A Petrobras hoje, em valor de mercado, vale menos de US$ 40 bilhões. E é uma petroleira com 16 bilhões de barris em reserva e potencial de 30 bilhões de barris. Só não foi vendida porque é estatal”, disse.

A saída, de acordo com Lucindo, da DMBL, é o engavetamento do pré-sal, que consome muito em investimento, ou a venda de ativos. Adriano Pires, do Cbie, ressaltou que se desfazer de campos rentáveis comprometerá a geração de caixa. “Só vejo três opções: ou o governo coloca dinheiro na empresa, como fez com o setor elétrico no ano passado; ou renegocia a dívida; ou, ainda, aumenta o preço dos combustíveis, vendendo os derivados mais caros do que o valor deles no mercado internacional”, enumerou.

Nenhuma das três alternativas, contudo, parece viável no atual momento da economia brasileira. O governo não tem dinheiro para fechar as próprias contas. Levar os credores para uma mesa de renegociação derrubaria ainda mais as ações da Petrobras no mercado, cotadas abaixo dos R$ 10. E não há espaço para aumentar os combustíveis a ponto de solucionar o problema de caixa, sob pena de jogar a inflação nas alturas e contrair ainda mais a atividade econômica do país, mergulhado numa recessão. “Neste momento, o governo só está preocupado com o impeachment. Mas, quanto mais adiar a decisão maior ficará a dívida da Petrobras”, resumiu Pires.
Procurada, a petroleira preferiu não comentar o assunto.

Novo financiamento
A Petrobras fechou ontem mais um empréstimo, de US$ 2 bilhões, com o Industrial and Commercial Bank of China Leasing (ICBC Leasing). Segundo a companhia, os recursos estarão disponíveis para desembolso após as aprovações internas das instituições. “A operação faz parte da estratégia financeira de diversificar as fontes de financiamento e representa uma antecipação da captação de recursos prevista para 2016”, afirmou em nota.


Por Diário de Pernambuco

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