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domingo, 31 de maio de 2015

Cidades do Sertão estão em alerta para casos da doença de chagas.

Algumas cidades do Sertão de Pernambuco estão em alerta por causa do barbeiro, inseto que transmite a doença de chagas. Na região, 10 cidades correm o risco de ter novos casos. Para reduzir a contaminação da doença, a Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) desenvolveu um projeto junto aos municípios.
A doença de chagas é causada pela picada do barbeiro, lesionando a pele geralmente no rosto e nos braços. “Caracteristicamente essa picada ocorre mais no período noturno em áreas em que o indivíduo permanece descoberto, como o rosto e o braço principalmente. Nessa primeira infecção, o indivíduo pode apresentar sintomas semelhantes com uma conjuntivite. O olho vai ficar inchado, avermelhado, pode ter febre. Uma febre baixa, pode aparecer gânglios no pescoço ou até mesmo em todo o corpo. Isso dura em média um mês”, destaca o cardiologista Luiz Dantas.
Depois dos sintomas ocasionados na fase aguda, a doença continua avançando e pode levar até 40 anos para aparecer. “O indivíduo vai conviver com o parasita no interior do organismo sem manifestar a doença. Passado 20 a 40 anos desse contágio inicial, esse indivíduo entra na fase da doença crônica, que pode se manifestar por acometimento cardíaco, dilatação do esófago e do intestino grosso. Pode levar a morte se não tratado”, explica o médico.
No Sertão pernambucano, além de Petrolina, as cidades de Afrânio, Dormentes, Lagoa Grande,Orocó,  e Santa Filomena estão em alerta e correm o risco de ter novos casos da doença de chagas. Em Petrolina, o índice de infestação é de 23,1%, considerado acima do aceitável pelo Ministério da Saúde, que é de 5%. Em geral, os focos do inseto transmissor se concentram em comunidades da Zona Rural das cidades.
Anualmente, a Secretaria Municipal de Saúde realiza pesquisa para detectar a presença do barbeiro. Para reduzir os números, é feito um bloqueio com a aplicação de inseticida que mata o inseto. “Nessas localidades são feitos os bloqueios, semelhantes aos da dengue. É feita uma borrifação nesses domicílios para eliminar a presença do inseto”, explica a coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Silvana Mudo.
Em Petrolina, a secretária não dispõe do número exato de pessoas contaminadas. Para notificar os casos, a equipe epidemiológica prepara um trabalho de identificação de pacientes com a doença. “São três ciclos anuais, ou seja, três vezes ao ano é feita uma visita a esses domicílios da Zona Rural, onde há uma maior presença do barbeiro e é justamente para evitar que se exista a presença desse inseto durante todo o ano”, disse a coordenadora.
O problema registrado na região é tema de um projeto da Univasf. O estudo é coordenado pelo professor do curso de medicina, Ricardo Lima. “O objetivo principal do projeto é de desenhar o perfil epidemiológico da doença de chagas na região, por entender que são áreas que tem potencial para desenvolver a doença. Além disso é feito um trabalho de educação em saúde para a doença de chagas, trazendo para as comunidades de potencial risco, informações sobre a doença, de como proceder, de como conviver nesse ambiente em comum com o barbeiro”, argumenta.
Do G1 Petrolina

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